Legal Design e UX Jurídico: Como Contratos Visuais e Dashboards Intuitivos Aumentam a Adoção de Software Jurídico

Publicado em 26/10/2025Caio Peclat
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UX Jurídico
Visual Law
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Adoção de Software
Legal Design e UX Jurídico: Como Contratos Visuais e Dashboards Intuitivos Aumentam a Adoção de Software Jurídico

Seu escritório investiu em um software jurídico de ponta, mas a equipe usa apenas uma fração de seus recursos? Essa é uma frustração comum e a resposta raramente está na falta de tecnologia. A verdadeira questão é: por que advogados não usam software jurídico em sua totalidade? A resposta está no design. A baixa usabilidade de software jurídico e processos de integração deficientes são as principais causas da baixa adoção de software jurídico, gerando prejuízos e ineficiência.

Este guia prático é a solução. Nele, explicamos como o Legal Design, o Visual Law e o UX Jurídico (User Experience) são as pontes entre a tecnologia complexa e a prática jurídica acessível. Ao longo deste artigo, você descobrirá os benefícios de aplicar esses conceitos, verá exemplos práticos de contratos visuais e dashboards intuitivos, e terá acesso a um checklist e templates para começar a transformação no seu escritório. Para acelerar sua implementação, oferecemos um template exclusivo ao final do texto.

Descubra como o Legal Design e o UX jurídico transformam contratos visuais e dashboards, aumentando a adoção e a eficiência do seu escritório.

O que é Legal Design e Visual Law (e por que importa para seu escritório)

De forma prática, Legal Design é a aplicação dos princípios do design centrado no ser humano para tornar o direito mais acessível, utilizável e compreensível. Ele vai além da estética, focando na funcionalidade e na experiência do usuário final, seja ele um cliente, um juiz ou o próprio advogado. O Visual Law é uma das aplicações mais conhecidas do Legal Design, utilizando elementos visuais como ícones, infográficos, diagramas e layouts inteligentes para comunicar informações jurídicas complexas de maneira clara e eficiente em documentos, serviços e produtos digitais.

A relação entre Legal Design e outras disciplinas é fundamental. O UX Jurídico, ou a experiência do usuário no contexto legal, é o campo que estuda e otimiza a interação entre os profissionais do direito e as ferramentas que utilizam. Já o Design Thinking no Direito é a metodologia que fornece o passo a passo para identificar problemas, idealizar soluções e testá-las de forma colaborativa. Juntos, esses conceitos formam um arsenal poderoso para redesenhar processos e produtos, garantindo que a tecnologia sirva ao advogado, e não o contrário. Fontes de autoridade no setor, como a Thomson Reuters e consultorias especializadas como a UX.DOC, reforçam a crescente importância dessa abordagem para o futuro da advocacia.

Por que advogados não usam 100% do software (o problema é o design, não a tecnologia)

As causas para a baixa adoção de tecnologia em escritórios são quase sempre as mesmas: interfaces sobrecarregadas e pouco intuitivas, workflows que não refletem a rotina real do advogado, excesso de jargões técnicos e, principalmente, um onboarding de software jurídico ineficaz. Quando um sistema exige um manual extenso para realizar tarefas simples, a resistência é uma consequência natural. A questão central de por que advogados não usam software jurídico em sua plenitude reside na fricção criada por um design que não considera o usuário. A usabilidade de software jurídico não é um luxo, mas uma necessidade para garantir o retorno sobre o investimento.

Estudos do setor indicam que uma parcela significativa dos recursos de softwares complexos é simplesmente ignorada pelos usuários após os primeiros meses de uso. Esse abandono funcional representa um desperdício direto de recursos financeiros e de potencial de produtividade. A baixa adoção de software jurídico não é um problema de competência da equipe, mas um sintoma de um produto que falhou em compreender e atender às necessidades de seu público.

Principais 5 motivos de baixa adoção:

  1. Interface Contraintuitiva: Menus confusos, excesso de cliques para tarefas comuns e falta de hierarquia visual.
  2. Curva de Aprendizagem Elevada: A ferramenta exige treinamento extensivo e contínuo, interrompendo o fluxo de trabalho.
  3. Falta de Relevância: O software oferece dezenas de funcionalidades, mas as mais importantes para o dia a dia do advogado são difíceis de encontrar ou usar.
  4. Onboarding Ineficiente: O treinamento inicial é genérico, focado apenas em ensinar "o que" os botões fazem, e não "como" a ferramenta resolve problemas práticos da equipe.
  5. Linguagem Inacessível: O uso de termos técnicos de TI ou jargões complexos na interface afasta o usuário, que busca simplicidade e agilidade.

Como o Legal Design melhora a usabilidade: princípios e benefícios práticos

Para resolver os problemas de usabilidade, o Legal Design aplica princípios que transformam a experiência do usuário. A aplicação desses conceitos resulta em uma melhora direta no UX jurídico e na eficiência operacional.

  1. Linguagem Simples: Substituir o "juridiquês" e o "tecniquês" por uma comunicação clara e direta. Em uma cláusula contratual, por exemplo, isso significa usar frases curtas e termos que o cliente entende, o que aumenta a confiança e reduz o tempo gasto com explicações.
  2. Hierarquia Visual: Organizar a informação de forma que os elementos mais importantes se destaquem. Em um dashboard, isso significa colocar os prazos urgentes e os KPIs principais em evidência, permitindo uma análise rápida e precisa.
  3. Modularidade: Quebrar informações e processos complexos em partes menores e gerenciáveis. Um contrato pode ser dividido em blocos temáticos com ícones, facilitando a navegação e a compreensão.
  4. Microinterações: Pequenos feedbacks visuais que confirmam uma ação do usuário, como um botão que muda de cor ao ser clicado. Isso gera segurança e orienta o usuário, reduzindo a taxa de erro.
  5. Fluxo Centrado na Tarefa: Desenhar a interface em torno das tarefas que o advogado precisa realizar, e não em torno das funcionalidades do sistema. O objetivo é reduzir o número de passos para concluir uma ação, como protocolar uma petição ou registrar um novo caso.
  6. Feedback Claro: Informar ao usuário o que está acontecendo, seja através de mensagens de sucesso, alertas de erro ou barras de progresso. Isso diminui a ansiedade e melhora a experiência.

A aplicação desses princípios cria serviços jurídicos centrados no ser humano, onde a tecnologia se adapta ao profissional, promovendo a acessibilidade jurídica e, consequentemente, aumentando a adoção das ferramentas.

Contratos Visuais: guia prático para criar acordos que as pessoas entendem

Os contratos visuais são a aplicação direta do Visual Law para tornar documentos jurídicos mais claros e eficientes. Através da visualização de contratos, cláusulas complexas são traduzidas em elementos como ícones, fluxogramas e linhas do tempo. A pergunta não é se você deve abandonar os contratos tradicionais, mas sim quando usar contratos visuais para agregar valor. Eles são ideais para acordos com partes não especializadas, como contratos de adesão, termos de serviço, contratos de trabalho ou acordos de confidencialidade, onde a compreensão rápida é crucial.

Para saber como criar contratos visuais eficazes, siga este passo a passo:

  1. Mapeie as Partes Interessadas: Entenda quem lerá o contrato e quais são suas principais dúvidas e preocupações.
  2. Identifique as Cláusulas Críticas: Destaque as obrigações, prazos, valores e penalidades. Essas são as informações que precisam de maior clareza visual.
  3. Modularize o Texto: Divida o contrato em seções lógicas e utilize títulos claros e diretos. Use linguagem jurídica simples em todo o documento.
  4. Aplique Ícones e Diagramas: Associe ícones a conceitos recorrentes (ex: um cifrão para cláusulas de pagamento) e use fluxogramas para explicar processos.
  5. Ofereça uma Versão Híbrida: Combine o layout visual com o texto completo. O design serve como um guia de leitura, mas a versão textual garante a segurança jurídica tradicional. Modelos de contratos em legal design frequentemente utilizam uma estrutura de duas colunas para este fim.

[Exemplo visual de um contrato com ícones e layout claro. Legenda: Exemplo de contrato visual aplicando princípios de Legal Design para facilitar a compreensão de cláusulas.]

H3: Modelos e templates práticos de contratos visuais

Para começar, aqui estão três modelos de contratos em legal design que podem ser adaptados para o seu escritório:

  1. Contrato de Honorários Simplificado: Use uma linha do tempo para mostrar as etapas do serviço e os marcos de pagamento. Ícones podem diferenciar honorários de sucesso, custos processuais e taxas administrativas.
  2. Acordo de Confidencialidade (NDA) Simplificado: Crie um infográfico que resume o que é informação confidencial, quem pode ter acesso e quais as consequências de uma quebra de sigilo.
  3. Termo de Aceite Eletrônico: Em vez de um longo texto, use um checklist visual com os pontos-chave que o usuário está aceitando. Cada item pode ter um link para a cláusula completa, se necessário.

Dashboards jurídicos: como projetar painéis intuitivos que realmente ajudam a equipe

Um dashboard jurídico eficaz é mais do que um conjunto de gráficos bonitos; é uma ferramenta estratégica para a tomada de decisão. Seu objetivo é apresentar as métricas mais importantes de forma clara e acionável, permitindo que gestores e advogados identifiquem gargalos, monitorem prazos e avaliem a performance. Para criar um dashboard jurídico intuitivo, o foco deve estar em KPIs como prazos processuais, pipeline de novos casos, performance por advogado e receitas por tipo de ação.

As melhores práticas de UX para legaltechs na criação de dashboards incluem:

  1. Prioridade de Informação: O dado mais importante deve ocupar o maior espaço e estar no topo da página.
  2. Filtros Simples e Acessíveis: Permita que o usuário filtre informações por cliente, período, advogado ou status do caso com poucos cliques.
  3. Visualizações Consistentes: Use os mesmos tipos de gráficos para os mesmos tipos de dados em todo o sistema.
  4. Alertas Contextualizados: Destaque prazos que estão vencendo ou metas que não foram atingidas com cores e notificações claras.
  5. Design Responsivo (Mobile-First): Garanta que o dashboard seja totalmente funcional em dispositivos móveis.
  6. Personalização por Perfil: O dashboard de um sócio-gestor deve ser diferente do de um advogado júnior, mostrando as métricas relevantes para cada função.
  7. Dados Acionáveis: Cada gráfico deve permitir que o usuário clique para ver os detalhes e tomar uma ação imediata.
  8. Tempo de Carregamento Rápido: Um painel lento é um painel inútil. Otimize as consultas para que os dados apareçam instantaneamente.

[Imagem de um mockup de dashboard jurídico limpo e organizado. Legenda: Exemplo de dashboard jurídico projetado para melhorar a usabilidade de software jurídico e a tomada de decisão.]

Onboarding e adoção: passos táticos para aumentar o uso do seu software jurídico

Um processo de onboarding de software jurídico bem estruturado é o fator mais crítico para garantir a adoção a longo prazo. Ele deve ser um acompanhamento contínuo, não um evento único.

O fluxo ideal inclui seis etapas:

  1. Avaliação de Necessidades: Antes mesmo da implementação, entenda como cada equipe trabalha e quais são seus maiores desafios.
  2. Configuração Guiada: Personalize o software para atender aos fluxos de trabalho identificados na primeira etapa.
  3. Treinamento Prático e Contextual: Em vez de mostrar todas as funcionalidades, foque em treinar a equipe para realizar suas 3 a 5 tarefas mais importantes do dia a dia.
  4. Playbooks por Função: Crie guias rápidos e visuais (one-pagers) para cada perfil de usuário (advogado, paralegal, financeiro).
  5. Suporte Contínuo e Proativo: Mantenha canais de comunicação abertos para dúvidas e colete feedback regularmente.
  6. Medição de Uso: Acompanhe os KPIs de adoção para identificar usuários com dificuldades e recursos subutilizados.

Para justificar cada etapa, é preciso entender por que advogados não usam software jurídico: eles não têm tempo para processos que não geram valor imediato. Por isso, use microcopy (textos curtos na interface) para guiar o usuário e envie e-mails com dicas rápidas e focadas. Meça KPIs como o tempo até a primeira tarefa ser concluída e o número de funções essenciais utilizadas semanalmente. Isso melhora a experiência do usuário jurídico desde o primeiro dia.

Gestores podem impulsionar a adoção com táticas como a criação de "campeões internos" (usuários avançados que ajudam os colegas), a integração do software aos processos oficiais do escritório e o acompanhamento semanal dos resultados nas primeiras 8 semanas. A mudança é cultural e exige o engajamento da liderança.

Métricas e testes: como medir usabilidade e provar ROI do Legal Design

Para provar o valor do Legal Design, é preciso medir seu impacto. A usabilidade de software jurídico pode ser avaliada com métricas qualitativas e quantitativas:

  • System Usability Scale (SUS): Um questionário padronizado de 10 perguntas que gera uma nota de 0 a 100 para a usabilidade percebida do sistema.
  • NPS Interno: Uma pesquisa simples perguntando "Em uma escala de 0 a 10, o quanto você recomendaria este software a um colega?".
  • Tempo por Tarefa: Cronometre quanto tempo um usuário leva para completar uma tarefa essencial (ex: cadastrar um processo).
  • Taxa de Erro: Monitore a frequência com que os usuários cometem erros ao realizar uma tarefa.
  • Taxa de Adoção de Recursos: Meça quantos usuários ativos estão utilizando uma funcionalidade específica.

Para coletar esses dados, aplique métodos de teste práticos, como testes de usabilidade moderados com advogados, onde você observa enquanto eles usam o software. Análises de clickstream e heatmaps também revelam como os usuários navegam pela interface. Esses dados são cruciais para justificar investimentos e orientar melhorias contínuas na experiência do usuário jurídico.

Casos de sucesso e contraexemplos (o que funcionou — e o que falhou)

Um escritório de médio porte enfrentava baixa adoção de seu novo sistema de gestão. A equipe reclamava que o módulo de faturamento era "confuso e demorado". Aplicando princípios de Legal Design, a consultoria contratada redesenhou o fluxo, reduzindo o processo de 8 para 4 passos, adicionando um resumo visual antes da emissão da fatura e simplificando a linguagem dos botões. Em três meses, a adoção do módulo subiu 70% e o tempo gasto na tarefa foi reduzido em 50%. A lição: focar na tarefa mais crítica do usuário gera o maior impacto.

Em contrapartida, uma legaltech lançou um software com um dashboard repleto de gráficos e métricas complexas, acreditando que "mais dados" significava "mais valor". O resultado foi o oposto: os usuários se sentiram sobrecarregados e ignoraram o painel completamente, voltando para suas planilhas antigas. A falha foi não priorizar a informação e não entender o que era realmente relevante para a rotina do advogado. A lição: clareza supera a quantidade de informação.

Checklist rápido: 12 ações para melhorar a usabilidade do seu software jurídico hoje

  1. Revise a linguagem de 5 botões ou menus críticos do seu software. (Esforço: Baixo | Tempo: 1 dia)
  2. Crie um guia visual de uma página para a tarefa mais comum do escritório. (Esforço: Médio | Tempo: 3 dias)
  3. Entreviste 3 advogados da equipe sobre suas maiores frustrações com o sistema. (Esforço: Baixo | Tempo: 1 dia)
  4. Simplifique o fluxo de trabalho de uma tarefa, eliminando um passo desnecessário. (Esforço: Médio | Tempo: 1 semana)
  5. Nomeie 2 "campeões internos" para serem os pontos de referência do software. (Esforço: Baixo | Tempo: 1 dia)
  6. Meça o tempo que a equipe leva para realizar uma tarefa chave antes e depois de uma melhoria. (Esforço: Médio | Tempo: 1 semana)
  7. Crie um dashboard simplificado focado em 3 KPIs essenciais para a gestão. (Esforço: Alto | Tempo: 1 mês)
  8. Implemente um canal de feedback rápido e direto sobre o software (ex: um formulário simples). (Esforço: Baixo | Tempo: 1 dia)
  9. Redesenhe um template de e-mail de notificação do sistema para ser mais claro e direto. (Esforço: Baixo | Tempo: 1 dia)
  10. Adicione ícones para ajudar a diferenciar tipos de documentos ou processos. (Esforço: Médio | Tempo: 1 semana)
  11. Realize uma sessão de treinamento de 30 minutos focada em apenas uma funcionalidade. (Esforço: Baixo | Tempo: 1 dia)
  12. Simplifique um contrato interno usando princípios de Visual Law. (Esforço: Médio | Tempo: 1 semana)

Conclusão

A tecnologia jurídica só gera valor quando é efetivamente utilizada. A usabilidade deixou de ser um detalhe técnico para se tornar o principal diferencial competitivo no mercado. O Legal Design e o UX Jurídico oferecem as ferramentas para transformar softwares complexos em aliados práticos e eficientes, garantindo que o investimento em tecnologia se traduza em maior produtividade e satisfação da equipe. A chave para aumentar a adoção de software jurídico está em focar nas pessoas que o utilizam.

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